domingo, 22 de dezembro de 2019

É Natal


   

   Tantos natais já vi passar. Muitos mesmo. E ao longo dos anos, todos com cara de um filme em preto-e-branco, cores que habitam o passado. Mas ela está na minha retina, ainda em cores vivas, tão recente se foi. Uma sensação estranha, uma aflição de bebê na ausência dos pais, mas que logo se acalma, porque algum sinal de retorno virá. Só que não há mais retorno. Só a sensação incômoda de não ter dito tudo, não ter feito tudo, não ter agradecido mais, abraçado mais, curtido mais, a sensação de que não deu tempo. Resta a memória ansiosa tentando recuperar a voz, tentando fruir de sua alma na leitura de seus textos e suas imagens, felizmente  ainda fartos.  
 Que venha o Natal que, de tempos em tempos, marca uma ausência, catalizador de dores e lembranças com todo seu alarido de festa. O Feliz Natal ou todas as ditas "datas felizes" dão a dimensão justamente de nossa carência de felicidade. 
 Que venha mais um Natal, subtraído dos que se foram. 
 Que venha o primeiro Natal sem você, minha irmã querida.





                                                                                           A Shirley 13/06/1946 -5/12/2019
            

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