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| Shirley em bom momento no Placi* |
Em março de
2017, minha irmã teve sua primeira internação, quando sofreu uma síndrome
respiratória aguda, por pneumonia grave, agravada pela DPOC – Doença
Pulmonar Obstrutiva Crônica. Estávamos em
tempos “normais”. Como o quadro era gravíssimo, foi entubada e, na
impossibilidade de permanecer muito tempo nesta situação, optaram por procedimento
de traqueostomia (TQT), para acesso de ventilação mecânica e, posteriormente, pela
gastrostomia (GTT), uma via de alimentação por sonda direta no estômago. Da primeira
emergência até sua alta para o regime de homecare,
ela alternou períodos de intercorrências
ou procedimentos com tratamento em domicílio e, apesar do quadro grave, obteve
uma sobrevida de dois anos e oito meses, quando pôde estar no convívio com
familiares e amigos. Veio a falecer em dezembro de 2019.
Essa
introdução é para dar uma ideia básica do que seja um paciente de alta
complexidade, não do ponto de vista técnico, é claro, mas do experimentado. O que representa, em termos de recursos, um aparato gigantesco, mas necessário para manter-lhe a sobrevida. No caso do COVID19, como recurso para aquele paciente que não consegue
sair da entubação, a
traqueostomia pode ser indicada, porém, além desses recursos, requer atenção
exclusiva de uma equipe, o que só é possível pontualmente.
Alguns termos e nomenclaturas são conhecidos, outros parecem
difíceis, mas ao longo do tempo, nos familiarizamos com alguns deles. Vamos
por categorias* (e ordem alfabética):
Equipamentos - aparelhos de ambiente e específicos:
Aparelho de pressão - Ar condicionado ( máximo
até 22º,) - Aspirador
de TQT (aparelho que se liga ao tubo da tráqueo para retirar secreção que
se acumula nos pulmões)- Balas de oxigênio (o mesmo que cilindros, em geral três) - Bipap ou Cpap (aparelho que controla o
nível de entrada de oxigênio
automaticamente, sem precisar suprir todo o ar que o paciente precisa e
ajudá-lo a respirar). - Cadeira higiênicas
(cadeira para banho) -Cadeira de rodas
- Cama elétrica (com regulação de
altura e inclinação) – Comadre- Concentrador
(equipamento que retira o ar do meio ambiente e o filtra) – Equipamentos de fisioterapia respiratória e de membros(diversos) para evitar a perda muscular-Estetoscópio - Macronebulizador
( conjunto para nebulização ligado direto ao cilindro) - Nebulizador elétrico- Nobreak (gerador à bateria, que entra em operação na queda eventual de luz)- Oxímetro (mede a saturação de oxigênio)-
Ressuscitador manual c máscara (Uma
bomba para queda brusca de oxigênio também chamado de ambu)- Tira-glicemia - Umidificador de ar (para ambientes com secura por condicionador de ar)- Ventilador mecânico (mais em ambiente hospitalar).
Insumos
Agulhas para seringas- Água destilada
– Algodão - Aventais/capas descartáveis - Aerocâmara para puffs- Cateter
intravenoso - Colar fixador de TQT- Coletor de lixo hospitalar - Conectores
(reto e T) - Colchão pneumático Coletor universal estéril- Conjunto
Macronebulização (copo/filtro/máscara) - Cufômetro, Efexor -
Equipo endovenoso infusor/ 2 vias- Extensor para aspiração- Fita hipoalérgica –
Filtro umidificador bacteriano - Fraldas geriátricas - Gaze estéril e não
estéril - Garrote látex - Haste swab - Insumos para tira-glicemia - Lenço umedecido - Luva cirúrgica/
de procedimento/plástica estéril- Máscaras
de prolipropileno - Roupas de cama especiais-Suporte de soro- Seringas sem agulha/seringas com agulhas- Sondas
de aspiração- Swabe álcool -Suporte para soros - Termômetro clínico- Tubo
corrugado - Uro stop- Válvula de TQT.
Ambulâncias para o deslocamentos casa-hospital, com médico e
paramédico.
Medicamentos ( uns de uso contínuo e outros “SOS”, uns
com as mesmas, outros com diferentes indicações, alguns administrados mais de uma vez, e de acordo com o quadro clínico. Apenas para manter o quadro respiratório e clínico estáveis, e proporcionar-lhe conforto ) :
Acetilcisteína (ampola e envelope) – Alprazolam – Aristab – Atrovent - Azitromicina – Azoft colírio- Bamifix
– Bromoprida – Captropril – Clorexidina – Cloridrato de Cefepima – Cloreto de sódio(soro) - Duovent (inalatório)-
Dimorf –Dermaex (tópico)- Dimeticona- Dipirona sódica – Eritromicina - Fenoterol
(inalatório)- Floratil – Humolin (injt.) – Lidocaína intram. –
Mirtazapina – Movilax - Novolin – Pantoprazol - Prednisona – Quetiapina – Reparil
tópico - Symbcort –Tiorfan- Venlafaxina- Versani tópico.
Suplementos alimentares para GTT e produtos de higiene e
assepsia, além dos utilizados no hospital, como outros antibióticos e anticoagulantes,
não incluídos aqui.
Pessoal No
hospital o padrão são médicos, enfermeiros e técnicos, fisioterapeutas, pessoal
de laboratório e imagem; em domicílio:
médicos, enfermeiras, técnicos de laboratório particulares, técnicos de
enfermagem (plantonistas), fisioterapeutas, fonoaudiólogos, dentistas, oftalmologistas, nutricionistas e terapeutas ocupacionais e de saúde mental.
A sobrevida, embora limitada, manteve-a
lúcida, até os órgãos apresentarem falência. A DPOC é incurável, mas muitos
acometidos permanecem estáveis até idade bem avançada. Minha irmã tinha 73
anos.
Nota Ver http://sbccp.org.br/artigos-cientificos-para-covid-19/(Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço).
*Equipamentos, insumos e medicamentos listados foram
pesquisados nas notas de entrega do Homecare.
*Placi é um hospital de Cuidados Extensivos, em NiteróiRJ

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