Mamãe tinha umas tias idosas que
moravam na cidade do Rio de Janeiro. E era uma visita que não era lá muito
frequente, dado que não havia ainda a ponte Rio-Niterói. Desta vez viera a mais velha das
tias.
Na hora dela ir embora, Júnior, como primeiro, estava de carteira de motorista recém-tirada, segundo: não perdia a oportunidade de dirigir, e levar-alguém-de-carro, e também porque era gentil, ofereceu-se para conduzi-la à Estação das Barcas.
No caminho, foi-lhe mostrando as maravilhas da terra de Arariboia, e essa missão "turística" propiciava-lhe percorrer um caminho mais longo e, de quebra, dirigir mais.
Ao voltar, foi logo se justificando com a mãe da demora:
-Pois é, mãe, fui levar a tia e
aproveitei para mostrar-lhes as praias, nossos pontos turísticos,
- Muito bem, meu filho! Onde você foi?
- Jurujuba, Charitas, São Francisco. Voltei por Icaraí, Ingá, Barcas.
- Que volta, heim? Ela gostou?
- Acho que sim, Tia simpática, mas que pena...
- Pena por que?
- Poxa, mãe, tive que ir o tempo todo
berrando com ela.
- Por que berrando, meu filho, muito trânsito?
- Uái, mãe, não... Ela não é uma das
suas tias surdas?
- Coitada da tia, meu filho! Das tias, essa é a única que não é surda!
- Xi!!
Junior então pediu o telefone dela para se
desculpar com a tia-avó.
- Deixa, filho, ela deve ter percebido a confusão, por isso não falou nada.
- Coitada ...
-Só não deixa de anotar mais essa no seu caderninho das gafes, heim?
Moral: Em toda a família tem uma tia surda, que não é surda!
* Jary Gomes Filho. 1950-2022 Saudades
